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Gente, o segredo da silvicultura bem feita!

O Sistema Agroflorestal, também chamado de SAF, promove a integração de florestas com agricultura para produção de alimentos numa mesma área. A legislação brasileira estimula a utilização dos SAFs para a recomposição florestal e recuperação de áreas degradadas, com isso, a adoção do sistema tende a aumentar. Este é o tema do Dia de Campo na TV desta sexta, dia 7. O programa vai ao ar às 9h. Além de reduzir o desmatamento, os SAFs otimizam o uso da terra e ajudam a diversificar a produção, promovendo um desenvolvimento mais sustentável das áreas rurais com a integração de espécies nativas. São formados pelo plantio de espécies lenhosas perenes (árvores e arbustos) que se desenvolvem consorciadas com plantas herbáceas (vegetais, pastagens) ou animais, num arranjo espacial ou rotação. Os SAFs são aplicáveis em todos os biomas brasileiros e trazem benefícios como: baixa emissão de carbono; conservação da biodiversidade; recuperação de áreas alteradas; diminuição gases de efeito estufa; redução do avanço do desmatamento e das queimadas; melhora na qualidade do solo; diminuição da incidência de pragas e doenças e redução do uso de defensivos – além claro, de permitir a produção de alimento mais saudável. Na Amazônia, maior bioma brasileiro, os SAFs se firmam como alternativa de produção sustentável. No Pará estão os SAFs mais antigos, iniciados por descendentes de imigrantes japoneses como alternativa aos monocultivos da pimenta-do-reino atacados por fusariose – doença causada por fungo detectado no solo dos pimentais paraenses no final dos anos 1950. Os primeiros SAFs foram implantados em Tomé-Açu, município onde extensas coberturas agroflorestais dominam a paisagem. Outros SAFs se destacam: no Amazonas, entre assentados rurais que recuperam áreas degradadas nas várzeas do estuário amazônico no Amapá; em Rondônia os migrantes adotaram os SAFs para poderem se fixar no campo; entre os agricultores familiares que fazem extensão dos quintais e investem nos serviços ambientais em experimentos orgânicos, e com cooperativismo e investimento em agroindústria para agregação de valor aos produtos. Na região, o encontro dos saberes tradicionais com a criatividade dos agricultores e a pesquisa científica produzem cenários agroflorestais com arranjos produtivos altamente diversificados e vantajosos, além de promoverem a conservação ambiental, tornam possível melhorar a qualidade de vida das comunidades rurais, com segurança alimentar e geração de trabalho e renda durante o ano. Como é um sistema de uso permanente da terra, o SAF exige estratégia de implantação que permita produção o ano inteiro, desde o primeiro ano até a estabilização do sistema, com geração de renda a curto, médio e longo prazo. O interessante do sistema é que cada agricultor pode adaptá-lo de acordo com suas necessidades. Inclusive, com utilização de árvores frutíferas, associadas às atividades apícolas e ao turismo ecológico. O sistema agroflorestal é participativo e incentiva o uso de práticas agrícolas de forma integrada, apoiadas em conhecimentos tradicionais. O Dia de Campo na TV sobre Sistemas Agroflorestais na Amazônia foi produzido pela Embrapa Amazônia Oriental, Embrapa Amazônia Ocidental, Embrapa Acre, Embrapa Amapá e pela Embrapa Informação Tecnológica, unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Todo bom silvicultor necessita, obrigatoriamente, de todas as ferramentas para fazer um trabalho de qualidade Numa “conversa de boteco” alguns profissionais colocaram em pauta uma questão interessante e que rendeu inúmeras discussões, palpites e sugestões: qual a causa de tanta diferença entre os trabalhos silviculturais das empresas? No meio de considerações cuidadosas e “cheias de dedo”, há de se registrar a posição firme de um consultor muito conhecido no setor e que vive dentro das empresas discutindo programações, estratégias, modelos organizacionais. Sem rodeios e firulas tascou - “o trabalho de silvicultura é o resultado da competência e do entendimento de toda a equipe de trabalho”. E animado continuou - “Só pessoas que se falam e se entendem, conseguem soluções para os problemas que surgem no dia a dia, e isso é imprescindível para que a silvicultura vá bem. É premissa fundamental para que a empresa florestal seja bem sucedida”. O murmurinho geral que se seguiu, exigiu mais explicações, e da mesma maneira e bem objetivamente, o nosso consultor disse: “não adianta dinheiro à vontade, contratações de especialistas e reuniões daqui e dali, o que manda é ter um bom silvicultor e cultivar o relacionamento amigável e cooperativo entre toda a equipe de trabalho - os que fazem e os que dão apoio. Sem isso, só um milagreiro”. E para concluir, completou - “É impossível se fazer uma silvicultura bem feita, se não se dispuser de toda engrenagem de operação perfeitamente integrada e comprometida com o sucesso. Todo bom silvicultor necessita, obrigatoriamente, de todas as ferramentas para fazer um trabalho de qualidade. E essas ferramentas são representadas pelo conhecimento tecnológico, disponibilidade de insumos, mão-de-obra treinada e equipamentos adequados. Tudo isso andando junto, na hora certa, na quantidade adequada e no lugar exato”. E bem ao seu jeitão bradou - ”o resto é conversa mole, é tapar o sol com a peneira”. Que lição clara, ousada e desconcertante! Um participante da conversa, muito satisfeito, já foi dizendo: “vou pregar na porta de entrada da minha empresa”. Depois dessas enfáticas e objetivas colocações, seguiram-se algumas considerações, mas já com a premissa básica definida. Houve uma minoria que esboçou alguma reação, mas foi calada pela concordância da grande maioria. Um misto de realidade e de preocupação com as colocações do consultor! Para quem não atua no setor ou não conhece as dificuldades do dia a dia de um projeto de silvicultura ou de uma empresa florestal, isso tudo pode parecer estranho! Fala-se de coisas óbvias: em qualquer manual de administração, de organização de trabalho e até nos manuais de “como trabalhar sem sofrimento” – essa premissa do trabalho em equipe, com a equipe e para a equipe é lição das páginas iniciais. Mas, em algumas empresas, essa simplicidade se complica e se torna uma utopia. A relação entre as pessoas é tão difícil que chega a comprometer a qualidade dos trabalhos silviculturais. E aqui começam as grandes diferenças entre empresas. A execução dos serviços de campo não é tarefa tão simples e corriqueira. É uma mistura de matemática, biologia e algumas pitadas de psicologia! Em alguns casos, as ferramentas usadas pelo silvicultor são manejadas por cabeças diferentes na mesma empresa. O uso sincronizado dessas ferramentas parece ser o segredo da boa silvicultura, do sucesso dos empreendimentos e a arte dos gestores do empreendimento. E aqui entra a pitada de psicologia no tradicional pacote de matemática e biologia. É muito comum que cabeças diferentes, pensem diferente. Mas o grande problema é quando essas cabeças pensando diferente criam mundos independentes, com prioridades próprias e se descolam da atividade fim da empresa. Aqui começam as dificuldades, surgem os problemas sem solução, a silvicultura fica sacrificada e as diferenças entre empresas se evidenciam! Nesse ponto, a equipe já se transformou em turmas e todas disputando o mesmo campeonato, umas na parte de cima e outras na parte de baixo da tabela. É só uma visita de campo nessas empresas e observa-se o retrato fiel desses desencontros! Foi uma lição profissional e de vida para o grupo, mas mesmo assim, surgiram, sorrateiramente, algumas justificativas daqueles mais abatidos, mas nada tão contundente, quanto às considerações do nosso amigo consultor. Com certeza, vou receber uma ligação telefônica dele e vou ouvir: você não me avisou que ia falar disso! Vou agradecer a lição dada e dizer da importância de se compartilhar o privilégio daquela conversa com os profissionais do setor! Vou informá-lo, também, que irei falar a respeito de outros temas tratados naquela “conversa de boteco”. E foi uma conversa longa... São registros para reflexão e que devem fazer bem às pessoas e muito mais à silvicultura brasileira. Com certeza, o nosso amigo vai concordar!
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